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As realidades em dois extremos
 
Na segunda entrevista da série Regionais, os presidentes das Sociedades do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul falam um pouco da realidade em seus estados e dos projetos para o Biênio 2018-2019
 
Os desafios da especialidade encontram pontos comuns quando os temas são defesa e qualificação profissional, atuação na rede pública de saúde e relacionamento com convênios. O presidente da SBACV-RS, Dr. Claudio Nhuch, e a presidente da SBACV-RN, Liana Berucia, destacam a seguir de que maneira estão buscando fortalecer a especialidade e difundir o papel do Angiologista e do Cirurgião Vascular junto ao público leigo.

Qual o perfil da especialidade atualmente em seu Estado?

Claudio Nhuch – Temos sete programas de Residência Médica na área de Cirurgia Vascular. Desse total, quatro na Capital, dois em Passo Fundo e um em Santa Maria. A Região Metropolitana concentra o maior número de vasculares, mas há número adequado de profissionais em centros como Passo Fundo, Santa Cruz, Santa Maria, Pelotas e Caxias. Atualmente, a SBACV-RS possui um quadro de cento e quarenta associados. Estamos investindo na aproximação com os nossos profissionais. Imediatamente após a posse, iniciamos a busca por um local para instalar a nossa Sede, que passa a funcionar no prédio da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS).
 
      Uma peculiaridade se destaca no Estado. Dois convênios concentram aproximadamente entre 80 e 90% dos atendimentos privados. A Unimed, como convênio privado, e o IPE-Saúde, dos servidores estaduais, com mais de 1 milhão de vidas. A Unimed paga remunerações variadas dentro do estado e, embora acima de várias Unimeds do Brasil, apresenta valores extremamente baixos para procedimentos Endovasculares. A SBACV-RS realizou grandes esforços nos últimos quatro anos para mudar esse quadro, mas os resultados foram praticamente nulos. A atual gestão retomou as tratativas com o convênio e aguarda retorno a respeito de honorários, codificação, glosas e pagamentos diferenciados que têm sido praticados para a Cooperativa dos Cirurgiões Cardíacos, por exemplo. Já o IPE-SAÚDE reflete a economia do estado do RS e não há aumento nos honorários há mais de 5 anos.

Liana Berucia – Somos uma Regional pequena, mas que vem crescendo. Novos profissionais habilitados têm chegado a cada ano. Atualmente, temos um quadro de 37 associados na nossa Regional, sendo 35% mulheres. O Estado do Rio Grande do Norte não possui residência em Angiologia ou Cirurgia Vascular. Em algum momento, todos estudam ou trabalham fora do nosso Estado. Uma parcela importante radica-se na cidade onde se especializa. Temos bons colegas atuando com formações bem distintas nas diversas áreas da nossa especialidade, mas o aprimoramento e a qualificação profissional tornam-se um pouco mais desafiadores por não estarmos no eixo dos grandes centros.

Qual o cenário na rede pública de saúde?

Claudio Nhuch – Em relação ao SUS, a situação se iguala à do restante do país, com procedimentos mal remunerados e espera para a realização de cirurgias de varizes. Os maiores serviços de Porto Alegre têm filas para a realização de ecodoppler venoso. Algumas instituições já oferecem tratamento de varizes com espuma, mas em média, os pacientes aguardam de um a dois anos para serem operados. Os grandes hospitais de referência oferecem tratamento Endovascular de ponta. Em Porto Alegre temos dois hospitais de Emergência que servem de referência, com cirurgião vascular de plantão 24 horas. Entretanto, os procedimentos endovasculares acabam concentrando os casos mais críticos, que chegam ao SUS pelas portas das Emergências dos grandes hospitais.

Liana Berucia – A maioria dos vasculares do estado trabalha predominantemente com convênios. Assim como em outros estados do país, a atuação do SUS se configura como um desafio, em decorrência da falta de atualização dos valores pagos por procedimentos. De modo geral, há dificuldade de acesso a serviços especializados. Precisamos melhorar o nível de informação junto ao público leigo. Iniciamos um movimento de classe este ano, com apoio do Sindicato dos Médicos, que nos vislumbra boas conquistas no que se refere a honorários, valorização profissional e melhor conhecimento sobre o papel dos profissionais da nossa especialidade. A atuação de não médicos em procedimentos da nossa área de atuação também é foco do nosso trabalho. O nosso objetivo é fortalecer a importância da Vascular e alertar sobre os riscos que os não médicos podem representar para a saúde dos pacientes.

Quais atividades e projetos com foco na qualificação profissional e formação estão sendo desenvolvidos?

Claudio Nhuch – Temos um programa cientifico de reuniões mensais, buscando por meio de parcerias com a indústria e fornecedores, trazer palestrantes de fora do estado e do país para tratar dos temas mais atuais em Cirurgia Vascular. Ajustamos nosso site para facilitar o acesso do público em geral na busca por seu médico vascular, inclusive, por cidade de atuação. Criamos um espaço específico para a realização de denúncias sobre casos de invasão da nossa especialidade.

       Também está em fase final o projeto SBACVRS STUDY CLUB
– Programa de qualificação cientifica, que pontuará os associados que participarem das atividades da SBACV-RS e que acessarem os conteúdos científicos relevantes e atuais nas mais diversas áreas de nossa especialidade, disponibilizados semanalmente em nosso site. Os colegas com maior pontuação serão premiados com pacotes para o Congresso Brasileiro de 2019. Todas as reuniões científicas serão filmadas e publicadas em nosso site, facilitando aos colegas do interior do estado o acesso a todo o conteúdo. Queremos diversificar os temas abordados em nosso informativo impresso quadrimestral, com participação dos Serviços de Residência Medica do estado, e incentivar a formação de novas ligas acadêmicas, tendo como referência a Liga Acadêmica de Cirurgia Vascular e Endovascular, que funciona na Universidade de Caxias do Sul. Dentro do planejamento de qualificação profissional, estão em fase de elaboração um curso básico de ecodoppler e um de punções guiadas por ecografia. Os desafios são enormes, mas temos um grupo disposto a trabalhar pelo crescimento continuado da nossa especialidade.

Liana Berucia – Estamos avançando na aproximação com os estudantes. A respeito das Ligas Acadêmicas, contamos com a participação dos estudantes da Liga de Cirurgia Vascular da Universidade Potiguar em nossos eventos. Especialmente, os de maior porte. Consideramos importante estreitar o relacionamento e queremos incentivar tanto o trabalho desenvolvido pelas ligas quanto a geração de novas, por entendermos a relevância de envolver os jovens nas questões cotidianas da nossa especialidade e de conscientizar sobre a importância do constante aprimoramento científico. Tradicionalmente, temos uma reunião científica mensal, sempre com convidados locais ou nacionais falando sobre temas ligados à especialidade. O nosso melhor e maior projeto sem dúvida, é a divulgação das ações de atendimento e esclarecimento sobre doenças da nossa área de atuação junto ao público leigo. Já fizemos três edições com atendimento à população, sempre em locais de grande movimentação popular e de fácil acesso, orientando sobre cuidados com a saúde vascular. Estamos concluindo o projeto de divulgação da especialidade em mídias sociais, buscando reforçar a importância de acompanhamento regular para alguns grupos de pacientes, ressaltando que doenças vasculares devem ser tratadas pelo médico especialista. O objetivo na nossa gestão é promover alguns cursos para associados, sempre com foco no aperfeiçoamento de técnicas e novos conhecimentos nas diversas áreas, como flebologia e ultrassonografia com Doppler. Temos enormes desafios, mas estamos trabalhando para fortalecer o envolvimento dos nossos profissionais com as questões da nossa especialidade. 

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