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Para um tratamento médico ser bem-sucedido, cumprir as orientações que constam de uma prescrição é fundamental. Isso inclui seguir recomendações sobre o tipo de medicamento a ser utilizado, dosagens e intervalos, assim como atender pedidos complementares, como seguir dietas alimentares, suspender hábitos nocivos (fumar, consumo de álcool, dormir pouco, etc.) e praticar atividades físicas. Sensibilizar a população para esses e outros pontos, é o objetivo central de campanha promovida pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) que joga luz sobre esse tema que tem sido ignorado por pacientes e familiares.

Como ação institucional, a campanha da SBACV distribuirá aos seus médicos associados um selo holográfico para ser fixado em suas receitas, uma forma de indicar aos pacientes o apoio à causa. Além disso, posts informativos serão veiculados nas redes oficiais da entidade para orientar a população sobre o tema, bem como estimular profissionais da saúde a compartilharem essa mensagem.

A importância de seguir a orientação médica e dos riscos envolvidos na condução inadequada do receituário, bem como os perigos da automedicação, são fatos concretos que podem adiar evolução de quadros clínicos ou gerar complicações graves, como internações, sequelas ou até óbitos. 

Infelizmente, alguns pacientes preferem seguir outros caminhos, indo contra o que foi decidido de forma compartilhada durante a consulta. Com isso, se colocam em risco de sofrer com reações adversas, intoxicação medicamentosa, insucesso terapêutico e até mesmo agravamento de sintomas”, lembra o presidente da SBACV, Julio Peclat. Ciente de que situações desse tipo são comuns, ele lembra que para contornar esses riscos é fundamental estabelecer um clima de confiança na relação entre médico e paciente e que todas a decisões devem ser tomadas de forma clara e compartilhada após ampla exposição dos benefícios e riscos de cada medida a ser instaurada.

Prescrição – A campanha da SBACV explica que a prescrição médica se trata de um documento escrito ou digitalizado – elaborado por médico – que contém indicação e orientações de tratamento medicamentoso, ou não. Nela, o profissional informa a quantidade total de medicamento; dose e a duração do tratamento; via de administração; o intervalo entre as doses; a dose máxima por dia; entre outras questões relevantes que seguem um protocolo de segurança para a condução do caminho terapêutico escolhido.

Na prescrição também podem estar recomendações de rotinas de cuidado, como atividades físicas, ingestão de água e outros pontos que o médico considere relevantes para a melhora clínica. Todas essas orientações são dadas pelo especialista após analisar cuidadosamente a situação apresentada pelo paciente em consultas, analisar exames e ponderar de que forma é possível curar e/ou amenizar os sintomas relatados.

Consulta – De acordo com o cirurgião vascular Ricardo Aun, membro titular da SBACV, para que essa prescrição seja proveitosa, é preciso engajamento do paciente e por isso são consideradas questões como histórico de saúde, rotina, segurança e condição financeira. Essas informações só são possíveis de serem analisadas através do diálogo durante a consulta. Trata-se de um encontro durante o qual o paciente deve aproveitar para expor as dúvidas, inseguranças e solicitar orientações do especialista.

A relação médico e paciente é única. Cabe ao profissional conversar e orientar, e se mostrar disponível para responder às dúvidas do paciente. Somente com paciência e uma audição atenta, temos chances de compreender as queixas e os melhores caminhos para cada caso”, explica Ricardo.

Outro problema abordado pela campanha da SBACV, que contribui negativamente para os tratamentos e coloca os pacientes em risco, é o abandono das orientações ou a decisão unilateral de substituir o medicamento recomendado, alegando efeitos colaterais ou dificuldade na adaptação.  O especialista lembra que essas atitudes são danosas, pois apenas o médico é capaz de avaliar esses efeitos e tomar as atitudes cabíveis em relação à condição adversa.

Nesse mesmo contexto, é comum os pacientes realizarem a troca do medicamento indicado pelo especialista por remédios similares ou genéricos, por sugestão dos balconistas nas farmácias. No entanto, Ricardo alerta que a intercambialidade de medicamentos não deve ser realizada de forma trivial e essa substituição necessita da avaliação do médico prescritor, devendo ser considerada a concentração do princípio ativo necessário para o tratamento, indicação terapêutica, via de administração, posologia e a possibilidade de variação dos remédios. 

Para isso, além da escuta do especialista, o paciente precisa estar aberto a uma conversa franca e honesta. Muitas vezes, a insegurança e o medo em relação aos remédios prescritos podem ser resultado da falta de informação sobre o uso adequado e isso tem um forte impacto no sucesso do tratamento proposto”, ressalta o especialista. Além disso, ele lembra que o paciente deve respeitar a prescrição do médico, pois a mesma foi baseada no raciocínio clínico, na avaliação de possíveis comorbidades e interações de drogas já tomadas pelo paciente.

Automedicação – A iniciativa da SBACV também aborda outro aspecto que interfere muito na saúde dos pacientes: a decisão de não procurar um médico diante de sintomas e optar pela automedicação. Para os especialistas, milhões de pessoas abrem mão de uma consulta e preferem iniciar tratamentos medicamentosos – seja via oral ou tópico – recomendados por familiares e amigos. Até mesmo dicas compartilhadas em redes sociais ou vídeos são usadas com essa finalidade.

Porém, o que pode parecer uma atitude simples, esconde várias possíveis complicações. Dentre elas, estão o mascaramento de sintomas, o que pode dificultar um posterior diagnóstico médico; o atraso dos efeitos de um tratamento efetivo, que, em casos extremos, pode não alcançar os resultados esperados pela perda do tempo terapêutico; e a intoxicação por medicamentos, que pode gerar quadros clínicos graves. Sem contar que todo medicamento, até o mais banal, depende de que sejam observados critérios de uso. Ou seja, quando a pessoa decide por conta própria tomar esse ou aquele remédio, muitas vezes usa dosagens inadequadas.

Precisamos alertar nossos pacientes que o sucesso de um tratamento está associado ao seu próprio comprometimento com sua saúde, ao seguir as orientações do médico, o profissional especializado para dar essas recomendações. Antes de iniciar qualquer medicamento, marque uma consulta e siga as orientações que podem ajudar você a recuperar sua saúde e qualidade de vida”, orienta o presidente da SBACV, Julio Peclat.

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